sexta-feira, 17 de abril de 2020

Gestão de projetos no setor de Saúde




O avanço da tecnologia da informação tem incentivado, cada vez mais, empresas de diversos segmentos atualizarem seus processos, ferramentas e procedimentos para otimizar tempo, reduzir custos e garantir a qualidade dos produtos e serviços prestados.

A expressão “fazer mais com menos” tem sido predominante dentro das organizações, o que implica em equipes enxutas, automação de processos, simplificação das tarefas para atingir bons resultados, implantação de ferramentas de apoio que auxiliam na tomada de decisão, entre outros fatores os quais são suportados pela tecnologia da informação.

Na área de saúde não é diferente. Com o uso de soluções tecnológicas e ferramentas de apoio avançadas, os hospitais têm alcançado resultados surpreendentes desde a otimização e padronização de processos até a redução de custos e aumento da produtividade.

Considerado um mercado extremamente competitivo, o segmento hospitalar está em constante ascensão e, por isso, tem investido em melhorias contínuas em seus fluxos de negócios e metodologias de gestão, alinhados aos objetivos estratégicos da organização, visando lucratividade e excelência no atendimento, haja vista que a cobrança pela eficiência e eficácia em suas iniciativas cresce gradualmente.

O gerenciamento de projetos é uma das mais importantes metodologias adotadas pelas organizações de saúde no Brasil nos últimos anos. Dado o dinamismo e importância da área hospitalar, diariamente surgem diferentes necessidades que dão origem a novos projetos. Muitas vezes, essas necessidades são solicitações exigidas pelos pacientes ou processos não informatizados que impactam diretamente na saúde do paciente e na área financeira da organização, como, por exemplo, o atendimento precário com filas de espera desorganizadas, o uso de papéis para preenchimento de anamneses e prontuários, insegurança dos dados do paciente, extravio de medicamentos e materiais hospitalares, falta de gerenciamento de leitos e blocos cirúrgicos, melhorias em processos já mapeados e informatizados, entre outros fluxos deste universo tão complexo.

Os projetos de saúde são considerados complexos devido aos inúmeros fluxos existentes na área. Essa complexidade exige conhecimento das regras de negócio por parte do gestor. Mas é possível gerenciar projetos sem conhecer do negócio? Tudo é possível. Cabe avaliar o risco, principalmente na área hospitalar, pois gerenciar projetos vai além do que controlar cronogramas e cobrar prazos às equipes. O fator primordial para obter sucesso nos projetos deste segmento é envolver um profissional detentor de conhecimentos teóricos e práticos, como técnicas, habilidades, boas práticas de gestão e vivência na rotina hospitalar, que conduza e gerencie as necessidades do setor de forma controlada e perspicaz.

Segundo o PMBOK (Guide to the Project management body of knowledge), Guia de Gerenciamento de Projetos, 6ª edição, este gerenciamento consiste na aplicação do conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto para atender aos requisitos solicitados. É importante seguir cada etapa por meio dos grupos de processos (Iniciação, Planejamento, Execução, Monitoramento e Controle e Encerramento), conforme orienta o Guia.

O gerente de projetos deve apoiar todas as áreas envolvidas, mantendo a comunicação entre os stakeholders (pessoas-chave envolvidas nos processos). As atividades devem ser planejadas de forma estruturada e organizada para mitigar os riscos ao gerenciar e controlar o escopo e cronograma para atender aos requisitos solicitados no prazo estabelecido, dentro do custo orçado e com a qualidade esperada pela instituição. O profissional também é responsável por liderar a equipe para alcançar os objetivos do projeto.

O maior desafio da gestão de projetos na área de saúde é agregar valor ao negócio. Muitas vezes, a ideia fracassa por não estar alinhada aos objetivos estratégicos da organização. Para minimizar este risco é necessário levantar os requisitos de forma adequada, envolvendo todas as áreas que serão impactadas, uma vez que o usuário é “peça-chave” e, em alguns casos, não tem conhecimento suficiente ou não sabe especificar o que deseja. Dessa forma, é possível afirmar que o sucesso de um projeto está diretamente ligado a um escopo bem definido e validado, equipe engajada, cronograma bem gerenciado, riscos e custos controlados, critérios de qualidade aceitáveis, criação de um canal de comunicação compartilhado e integrado entre as equipes. Isso contribui e beneficia não apenas o paciente, mas a todos os profissionais envolvidos no sistema como um todo.

Fonte: Adaptado de Saúde Business Mar 2020

Ceará planeja transformar onda do mar em energia a partir de 2020





A energia elétrica pode ser gerada por diversas formas. No Brasil, as principais fontes usadas são a hidráulica, o gás natural, o petróleo e o carvão mineral. Os processos de produção que utilizam essas fontes, entretanto, apresentam desvantagens que ameaçam a natureza, como a emissão de gases estufa, poluição do ar e chuva ácida. Todavia, uma alternativa que respeita o meio ambiente foi instalada no Ceará em 2012: a usina de ondas do Porto de Pecém, localizada no município de São Gonçalo do Amarante .




Resultado da parceria entre os pesquisadores da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), o projeto foi financiado pela Tractebel Energia (atual ENGIE) e teve apoio do Governo do Estado do Ceará. A empresa privada chegou a investir R$ 15 milhões no empreendimento, mas, com o fim do contrato em 2016, o projeto foi paralisado.

Em 2017, o então coordenador da usina e professor Segen Estefen retomou os experimentos no Ceará, com previsão de conclusão total prevista para 2020. Hoje, entretanto, a coordenação também foca na construção de uma usina de ondas no Rio de Janeiro, desta vez, em parceria com a Furnas e com a Seahorse Wave Energy.




Da usina do Porto de Pecém, espera-se gerar 100 quilowatts para abastecimento do principal porto cearense (energia que pode abastecer até 60 famílias locais). Por ter o movimento das ondas como principal fonte, a energia ondomotriz é limpa e renovável – não causando, assim, danos ao meio ambiente. Além disso, é um processo que tem um grande potencial de exploração, uma vez que o Brasil possui um vasto litoral e constância dos ventos alísios, principalmente no Ceará. Esse fenômeno garante regularidade no movimento das ondas, o que aumenta a eficiência da usina.





E como funciona a energia ondomotriz?

A usina é construída em módulos, sendo cada um deles formado por um flutuador, um braço mecânico e uma bomba conectada a um circuito de água doce. A partir do movimento das ondas, os flutuadores sobem e descem, acionando as bombas hidráulicas. Estas fazem a água doce circular em alta pressão e depois a transporta para um acumulador, onde a água e o ar são comprimidos em uma câmara hiperbárica. A água sai do acumulador com pressão e vazão e movimenta uma turbina, que aciona um gerador e produz energia elétrica. Essa é a grande diferença para a energia hidráulica: em vez da água ser aproveitada na queda, ela é pressionada em um circuito fechado.


Fonte: Casa.com.br Mar/2020

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Promo Livro - Aprenda a Gerenciar Projetos e Alcance o Sucesso

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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Indústria projeta crescimento da economia de 2,5% em 2020


Para a CNI, a garantia de que o avanço vai se materializar é a continuidade das mudanças

A economia brasileira deve crescer 2,5% no próximo ano, contra uma alta de 1,2% do PIB em 2019. As projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) foram divulgadas nesta terça-feira. Para a entidade, o investimento puxará esse movimento, com alta de 6,5% no próximo ano.

- A garantia de que esse crescimento vai se materializar é a continuidade das mudanças na economia, que vão gerar melhor ambiente de negócios e mais segurança para as empresas investirem mais, contratarem mais — avaliou o economista da organização, Flavio Castelo Branco.

Economistas ouvidos pelo Banco Central estimam uma alta de 2,25% do PIB em 2020. O governo projeta um avanço de 2,35%. No caso do PIB industrial, a expectativa da CNI é de uma alta de 2,8% em 2020, contra 0,7% de crescimento neste ano. Se a projeção for confirmada, será a maior expansão desde 2011.

"As empresas iniciarão o ano com condições financeiras mais favoráveis, com taxas de juros mais baixas e menor endividamento. Além disso, a ociosidade dá os primeiros sinais de queda, ao mesmo tempo que as expectativas seguem otimistas", justificou a entidade.

Para a organização, o setor da construção civil será o "principal motor" do aumento do nível de atividade no próximo ano. Segundo Castelo Branco, a construção civil se beneficiará do avanço do governo nas concessões e nas privatizações, além do foco no setor de saneamento.— A recuperação do setor tende a gerar um número grande de contratações formais, dando suporte a novos avanços no consumo — avaliou.

Para a Confederação Nacional da Indústria, o mercado de trabalho vem mostrando dinâmica positiva em 2019, e as perspectivas para o próximo ano vão no mesmo sentido. A previsão é de que a taxa média anual de desemprego caia de 12,3%, em 2018, para 11,9% em 2019 e atinja 11,3% no ano que vem.

A expectativa da CNI é de que a inflação continuará a apresentar um "comportamento favorável" em 2020, com o IPCA atingindo 3,70% no ano que vem, contra 3,78% em 2019.A entidade projeta a manutenção da atual da taxa básica de juros, de 4,5% ao ano, a mais baixa da História, ao longo de 2020.Para o dólar, a previsão é de que a moeda americana permaneça acima de R$ 4 no próximo ano, terminando 2020 ao redor de R$ 4,10.


Fonte: Portal Época Negócios, Dezembro de 2019.

Expectativas de Mercado (Concretizadas ou Não) para a Economia em 2019 e Perspectivas para 2020


Fonte: Instituto Liberal, 31/12/2019

Em 2019, o Brasil continuou no seu processo de recuperação, lenta e gradual, da atividade econômica. No terceiro ano pós-recessão, deve ter crescido algo próximo de 1,0%, assim como nos dois anos anteriores. Apesar de o número final ser praticamente o mesmo, esses três anos não foram exatamente iguais na sua composição.

Em 2017, a agropecuária, que representa menos de 5% da economia brasileira, cresceu bastante (14,2%), levando o PIB a crescer, em termos reais, 1,3%. Se não fosse esse desempenho da agropecuária, o PIB teria crescido bem menos. Em 2018, indústria e serviços (este último, principal setor da economia) contribuíram de forma mais relevante para o crescimento, que poderia ter sido maior se não fosse a greve dos caminhoneiros de maio e a incerteza eleitoral. A greve, apesar de ter sido um evento pontual, em que a atividade econômica naquele determinado mês se retraiu, voltando logo em seguida, teve efeitos negativos no dado da economia do ano como um todo.

Após a eleição de 2018, a incerteza diminuiu e a confiança aumentou, segundo os indicadores da FGV. Isso levou a um otimismo com a economia para 2019, tanto que no começo do ano as expectativas de mercado indicavam um crescimento do PIB de 2,5%. Porém, essa confiança foi sendo reduzida ao longo dos primeiros meses do ano. O índice de confiança empresarial da FGV, por exemplo, passou de 95,7 pontos em setembro de 2018 para 103,3 em janeiro de 2019, reduzindo nos meses posteriores, até chegar a 97,6 em maio. O indicador de incerteza, também da FGV, passou de 121,5 pontos em setembro de 2018 para 109,2 em março de 2019, tendo aumentado para 119,5 em maio.

Além disso, ainda houve o desastre de Brumadinho no começo do ano, a crise argentina e o aumento da incerteza mundial, fruto da guerra comercial entre EUA e China. Segundo estimativas do Banco Central, esses três eventos tiraram 0,67 p.p. do PIB desse ano.[1] O Gráfico 1 mostra a evolução da mediana das expectativas de mercado para o PIB de 2019 ao longo do ano.




Desde 2016, com a então nova diretoria do Banco Central, liderado pelo ex-presidente Ilan Goldfajn, a inflação recuou bastante, bem como a taxa de juros. Além disso, as expectativas de inflação votaram a ficar ancoradas na meta, inclusive no longo prazo. Lembrando que a inflação caiu de 10,7% em 2015 para 2,95% em 2017. O ano de 2019 deverá ser o terceiro ano consecutivo de inflação abaixo da meta, que pela primeira vez depois de 14 anos não foi mais 4,5% e sim 4,25%. As metas de inflação foram reduzidas de 4,5% em 2018 para 4,25% em 2019, 4,0% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,5% em 2022.

O IPCA-15 fechou o ano em 3,9%, com uma alta de 1,0% no último mês do ano em comparação com novembro. Alimentação no domicílio cresceu 6,1% no ano, e 3,6% em dezembro (em relação a novembro), ainda sob o critério da prévia da inflação. O setor das carnes, que tem um peso de 2,7% na inflação total do IPCA-15, aumentou 17,7% seus preços em dezembro em relação a novembro.[2]
Leia também: EVENTO - Prismas da Liberdade

A média de sete núcleos de inflação medidas pelo IPCA-15, calculados pelo Banco Central, apresentou uma alta de 3,1% dos preços em 2019, 0,8 p.p. superior à inflação total do IPCA-15, mostrando que a inflação ainda está bem comportada, e ocorreram choques (carne, por exemplo) no final do ano que elevaram a inflação, mas para ainda níveis confortáveis e abaixo da meta. Há um mês atrás, a mediana das expectativas de mercado indicava uma inflação de 3,5% no final do ano, ao invés de 4,0%, como atualmente. O Gráfico 2 mostra a evolução da mediana das expectativas de mercado para a inflação (IPCA) de 2019 ao longo do ano.



O ano de 2018 terminou com a Selic em 6,5%, menor nível histórico, desde março daquele ano. Com a atividade fraca, numa recuperação lenta e gradual, inflação corrente baixa e expectativas de inflação ancoradas na meta, apesar de haver riscos para ambos os lados, o Copom reduziu a Selic para 6,0% em julho, 5,5% em setembro, 5,0% em outubro e 4,5% em dezembro. As expectativas de mercado indicam mais uma redução da taxa Selic na primeira reunião do Copom de 2020 para 4,25%, porém terminando o ano de 2020 em 4,5%, assim como foi em 2019.

No começo de 2019 as expectativas eram de um leve aumento da Selic para 7,0%, depois as expectativas ficaram por alguns meses na manutenção dos juros em 6,5% e, a partir da metade do ano, as apostas passaram para diminuições da taxa básica de juros. Essas reduções foram se intensificando ao longo dos meses. O Gráfico 3 mostra a evolução da mediana das expectativas de mercado para a Selic de 2019 ao longo do ano.



A taxa nominal de câmbio oscilou em 2019 na mínima de R$ 3,65 / US$ no final de janeiro até a máxima de R$ 4,26 / US$ em 27 de novembro. Até meados de agosto, a média da mediana das expectativas de mercado da Focus indicavam um câmbio no final do ano em R$ 3,75 / US$. Dessa época até agora, a média das expectativas passou para R$ 3,99 / US$, sendo R$ 4,10 / US$ a última expectativa. Até a última sexta-feira do ano, a média do câmbio foi de R$ 3,95 / US$ em 2019, sendo R$ 4,05 / US$ o fechamento do câmbio em 27/12/19.

Segundo apresentação do presidente do Banco Central, alguns eventos recentes que impactaram o Real desde novembro foram: frustração com o leilão de Cessão Onerosa; manifestações na América Latina; revisão do balanço de pagamentos; entre outros. O Gráfico 4 mostra a evolução da mediana das expectativas de mercado para a taxa de câmbio de 2019 ao longo do ano, além dos dados efetivos do câmbio em 2019.



O Gráfico 5 mostra a mediana das expectativas de mercado para 2019, de acordo com o boletim Focus, para o PIB, a inflação, a Selic e o câmbio, em três datas: primeira Focus do ano (04/01/19); final do primeiro semestre (28/06/19); e último boletim Focus do ano (27/12/19).[3]




Então, no começo do ano se esperava um crescimento do PIB mais forte, taxa essa que foi caindo ao longo do primeiro semestre até ficar abaixo de 1,0% na metade do ano, e aumentou um pouco, esperando-se um crescimento de 1,2%, similar aos dois anos anteriores. Sobre a inflação, o ano começou com uma expectativa de 4,0%, pouco acima da expectativa no final do primeiro semestre (3,8). Porém, ao longo do segundo semestre as expectativas foram diminuindo mais ainda, chegando a ficar abaixo dos 3,30% em meados de outubro. Com os choques do final do ano, principalmente da carne, as expectativas aumentaram um pouco, para o patamar de 4,0%, mas mesmo assim ainda abaixo da meta de 4,25%.

As expectativas dos agentes de mercado eram de que a Selic subiria 0,5 p.p no começo do ano, de 6,5% para 7,0%, expectativa essa que logo mudou para mais alguns cortes de juros. No final de junho, as expectativas eram de que a taxa básica de juros fecharia o ano em 5,5%, 1 p.p. do que realmente fechou (4,5%). A expectativa de mercado no começo de 2019 era que o câmbio fechasse o ano em R$ 3,80 / US$, com o real um pouco mais forte do que a taxa de R$ 3,88 / US$ de fechamento do ano de 2018. No final do primeiro semestre, as expectativas ainda eram de R$ 3,80 / US$ (no final de junho, o câmbio estava em R$ 3,85 / US$). Alguns eventos, tanto internos quanto externos, levaram a taxa nominal de câmbio a se enfraquecer mais no segundo semestre, levando as projeções de mercado a indicarem um câmbio de R$ 4,10 / US$ no final de 2019.

Para 2020, as expectativas de mercado indicam um crescimento mais forte do que em 2019, de 2,3%, fruto de uma maior confiança, menor incerteza, efeitos defasados da política monetária, entre outros. Porém, nesse número há um carregamento estatístico (carry over) de 1,0%.

Ao se olhar para esse crescimento pouco acima de 2,0% no ano que vem, pode-se ver tanto aspectos positivos quanto negativos. Do lado positivo, esse vai ser o maior crescimento desde 2014, quando o país entrou em recessão. Por outro lado, a taxa média de crescimento do PIB brasileiro dos últimos 40 anos, desde 1980 é o mesmo número da expectativa para o crescimento em 2020 (2,3%), já incorporado o crescimento de 1,2% em 2019. Ou seja, a expectativa de crescimento para o PIB no ano que vem é positiva, ao se olhar o passado recente, em que o país atravessou a pior recessão da história, e uma recuperação bastante lenta e gradual, porém, é a taxa média de crescimento do Brasil das últimas quatro décadas. Lembrando que a década de 1980 foi conhecida como década perdida e a década atual é mais perdida, em termos de crescimento econômico, do que a década de 1980, já que nos anos 1980 o crescimento médio foi de 1,6%, e na década atual deverá ser menor do que 1,0%.

A inflação está ancorada na meta para 2020, já que as expectativas indicam uma taxa de 3,6%, mais uma vez (quarto ano consecutivo, caso isso se concretize) abaixo da meta, que ano que vem será de 4,0%. A Selic deve continuar na mínima histórica, seja em 4,5% ou até um pouco mais baixa. O câmbio próximo do patamar atual, em R$ 4,08 / US$. O Gráfico 6 mostra a mediana das expectativas de mercado para 2020, de acordo com o último boletim Focus de 2019, para o PIB, a inflação, a Selic e o câmbio.



O ano de 2019 pode ser considerado como positivo na área econômica, pela aprovação da reforma da previdência, um dos principais gargalos do desequilíbrio fiscal do país. Porém, sempre se tem que lembrar que a situação econômica ainda é muito precária, com os quase 12 milhões de desempregados, somados aos quase 5 milhões de desalentados e outros 7 milhões de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas.[4] Além disso, ainda há as dezenas de milhões de pessoas trabalhando na informalidade. Ou seja, resolver essa questão é a prioridade do país, no curto prazo. E para isso acontecer, o país precisa crescer mais. Feliz 2020!!

[1] 0,18 p.p do choque da Argentina; 0,29 p.p do choque global; e 0,20 p.p do choque de Brumadinho.

[2] As datas de coleta do IPCA-15 geralmente são entre a segunda parte do mês anterior, e a primeira parte do mês seguinte. Por exemplo, o calendário de coleta do IPCA-15 foi entre 12/11/19 e 11/12/19.

[3] Lembrando que o dado da taxa Selic do final do ano já é o dado efetivo, e não expectativa.

[4] Pessoas que trabalhavam habitualmente menos de 40 horas no seu único trabalho ou no conjunto de todos os seus trabalhos e gostariam e estavam disponíveis para trabalhar mais horas.