quarta-feira, 10 de junho de 2020

10 Ações para Lidar com a Crise

Segundo a Deloitte, neste momento em que mais de 100 países procuram se preparar ou gerenciar os impactos de uma pandemia, muitas empresas desempenham ativamente suas responsabilidades diante de seus profissionais e da sociedade. Como protagonistas da economia e do ambiente de negócios, as organizações têm como responsabilidades básicas a boa condução dos negócios e o cuidado com seus funcionários. Face à atual pandemia global, a Deloitte acredita que, quanto maior a urgência, mais é necessário que regras sejam estabelecidas e seguidas para que os desafios sejam enfrentados com reflexão e resiliência.

O avanço contínuo do novo Coronavírus levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a defini-lo como pandemia. Diante disso, neste momento, as empresas podem estar expostas a uma série de riscos estratégicos e operacionais, como atrasos ou interrupção do fornecimento de matérias-primas, mudanças nas demandas de clientes, aumento de custos, insuficiências logísticas que levam a atrasos em entregas, questões de saúde e segurança de funcionários, força de trabalho insuficiente e desafios referentes a importação e exportação de produtos.

A Deloitte, levantou as principais práticas utilizadas por empresas de todo o mundo em Planos de Continuidade de Negócios (BCP) e gerenciamento de grandes emergências de pneumonias infecciosas atípicas, Influenza H1N1, Febre Hemorrágica do Ebola e outras importantes doenças, analisou os dados obtidos e fez algumas recomendações interessantes para orientar empresas, principalmente no atual contexto. A seguir, elencadas as 10 ações propostas pela Deloitte para lidar com as incertezas futuras:
1. Estabelecer equipes de tomada de decisões de emergência

·         As empresas devem estabelecer imediatamente equipes de tomada de decisão para assuntos urgentes temporários, como uma “Equipe de Resposta a Emergências” ou um “Comitê de Gestão de Grandes Emergências” para definir os objetivos a serem alcançados e criar um plano de emergências, além de garantir que as decisões possam ser tomadas o mais rápido possível em diferentes situações;
·         Quanto aos membros desse comitê, a empresa deve avaliar seus próprios profissionais e, se necessário, trazer novos para adequar seus negócios às características regionais.
2. Avaliar os riscos e esclarecer mecanismos de resposta a emergências, planos e divisão de trabalho

·         Muitas empresas já possuem “planos de contingência de emergências” ou “planos de sustentabilidade de negócios”, geralmente implementando-os imediatamente em caso de grandes emergências;
·         Se uma empresa não dispor de tais planos, ela deve fazer uma avaliação imediata e abrangente de todos os riscos, incluindo questões com funcionários, terceiros, governo, demais públicos externos e toda a sua cadeia logística. De acordo com a avaliação de riscos, a empresa deve responder a questões relacionadas ao espaço do escritório, planos de produção, compras, fornecimento e logística, segurança dos funcionários e capital financeiro, assim como cuidar de outros assuntos importantes relativos aos planos de emergência e divisão de trabalho.
3. Estabelecer um mecanismo positivo de comunicação de informações para funcionários, clientes e fornecedores, e criar documentos de comunicação padronizados

·         É importante estabilizar cadeias logísticas de suprimentos e dar segurança a funcionários e parceiros externos, assim como fortalecer o gerenciamento de informações e serviços aos clientes para evitar uma visão negativa decorrente de negligência ou inconsistência;
·         Ao mesmo tempo, o sistema de informações existente na empresa deve ser usado para coletar, transmitir e analisar informações da pandemia e emitir imediatamente avisos de riscos.
4. Manter o bem-estar físico e mental dos funcionários e analisar a natureza de diferentes negócios e trabalhos para assegurar a adequada retomada desses trabalhos

·         De acordo com a mais recente pesquisa de recursos humanos da Deloitte sobre respostas a epidemias, 82% das empresas acreditam que “condições de trabalho flexíveis” são essenciais para os profissionais. Recomendamos que empresas estabeleçam imediatamente mecanismos de férias e trabalho flexíveis, com o suporte de tecnologias, com parâmetros de trabalho não presencial e à distância durante períodos específicos;
·         Além disso, a empresa deve estabelecer um sistema de monitoramento de saúde dos funcionários e manter a confidencialidade das informações sobre a sua saúde;
·         As empresas devem garantir a segurança de ambientes de trabalho, limpando e desinfetando com rigor locais de trabalho de acordo com as exigências de gestão das autoridades sanitárias e de saúde pública nacionais e regionais em períodos de grande propagação de doenças infecciosas;
·         As empresas devem fortalecer a educação sobre segurança durante pandemias, estabelecer diretrizes de proteção pessoal para funcionários baseadas em fatos e aumentar a conscientização sobre segurança e prevenção de riscos.
5. Foco em planos de resposta a riscos da cadeia logística de suprimentos

·         Grandes empresas geralmente providenciam com antecedência o uso de instalações de escritórios similares em outras regiões, que possuem a mesma capacidade de áreas afetadas, para que o trabalho na “área infectada” possa ser rapidamente retomado ou para que a produção não cesse devido à falta de capacidade ou de matérias-primas;
·         Na gestão de estoques, organizações devem considerar o prolongamento do ciclo de uso das mercadorias, causado pelo bloqueio de consumo, o aumento de custos financeiros associados e a pressão no fluxo de caixa. Ao mesmo tempo, em setores com longos ciclos de produção, organizações devem se preparar antecipadamente para a retomada do consumo com a redução da pandemia, para prevenir riscos de estoques insuficientes.
6. Desenvolver soluções para riscos de conformidade e manutenção de relacionamento com clientes decorrentes da inabilidade de retomar a produção em curto prazo

·         Após um surto, organizações devem cooperar com clientes para entender mudanças do mercado e administrar o impacto da retomada;
·         Leis sobre o cumprimento de contratos civis e comerciais devem ser observadas, já que nem todos os não cumprimentos durante uma pandemia podem ser isentos de consequências legais;
·         As empresas devem identificar e avaliar os contratos cujo cumprimento pode ser afetado e prontamente avisar a parte relacionada para mitigar possíveis perdas, assim como avaliar se é necessário firmar um novo contrato e manter evidências para uso em possíveis processos civis.
7. Prática de responsabilidade social e gerenciamento de partes interessadas e incorporação de estratégias de desenvolvimento sustentável às tomadas de decisão

·         As empresas devem seguir o planejamento e os planos de ação unificados do governo local;
·         A divulgação adequada de informações corporativas pode melhorar a imagem de uma empresa;
·         A mais importante prática é a de conseguir implementar responsabilidade corporativa social nos setores ambiental, social, econômico e de estabilidade de funcionários, assim como coordenar relações com a comunidade e fornecedores. É necessário avaliar o possível impacto e a duração da pandemia, ajustar planos e, quanto aos acionistas ou conselho diretivo, comunicar medidas propostas e resultados de avaliações.
8. Criar um plano de gestão de dados dos profissionais, garantindo segurança e confidencialidade de informações

·         As empresas devem estabelecer bons mecanismos de gestão de dados de profissionais, terceirizados, fornecedores, parceiros e outros profissionais com os quais mantêm contato;
·         Também é necessário formular tempestivamente planos de resposta a emergências de segurança de informações para assegurar a estabilidade da operação. Oferecer suporte à distância e interno 24h por dia, 7 dias por semana, para garantir o monitoramento de computadores, servidores, redes, sistemas, aplicativos e outros recursos de informática e, assim, possibilitar que profissionais que trabalham à distância, e que os que trabalham internamente na empresa conduzam suas atividades;
·         As empresas também devem proteger a confidencialidade de dados pessoais e dados preliminares de exames clínicos, especialmente aqueles que são pacientes (sejam clientes ou colaboradores), controlar estritamente o acesso, a transmissão e o uso desses dados. Para dados médicos e clínicos, devem ser estabelecidos controles de acesso e níveis de proteção.
9. As empresas precisam considerar ajustes em seus orçamentos e planos de implantação, planejamento de fluxo de caixa e mecanismos de notificação prévia para comércio internacional

·         Aconselhamos que as empresas fiquem atentas ao seu fluxo de caixa, ajustem o seu cronograma de recebimentos e pagamentos para garantir recursos de acordo com o ritmo de fornecedores e planos de trabalho dos funcionários;
·         Além disso, é necessário prestar muita atenção à situação de importações e exportações no comércio internacional, especialmente às mudanças repentinas ou desastres em locais de onde grande parte dos produtos se origina, o que afetará o comércio e poderá gerar grandes perdas também para a empresa. Para prevenir tais eventos, empresas devem estabelecer “plano de cenário” de emergência para fornecedores essenciais o mais rápido possível, o que pode incluir planos de hedge utilizando contratos futuros, comércio internacional e transporte, além de fornecedores alternativos.
10. Melhoria dos mecanismos de gestão de risco

·         O relatório da Pesquisa de Gestão de Risco Empresarial da Deloitte mostra que 76% dos gestores de risco acreditam que suas empresas poderiam responder de maneira eficiente  se uma grande emergência acontecesse amanhã. Mas só 49% das empresas desenvolveram manuais relevantes e fizeram testes prévios baseados em cenários de emergência, sendo que somente 32% das empresas conduziram exercícios de simulações de emergência ou treinamentos;
·         Entendemos que a maioria das empresas deve encarar eventos de risco inesperados a qualquer momento − não há dúvida de que eventos desse tipo irão acontecer, mas não há como prever sobre quando irão acontecer. As empresas devem estabelecer ou melhorar seus sistemas de gestão de risco para identificar os riscos-chave e desenvolver planos para mitigá-los. Fortalecer o sistema de gestão de riscos é tão importante quanto lidar com eventos negativos quando eles se concretizam.
Extraído e Adaptado do Portal Deloitte.com

O Brasil que não parou: a nova realidade dos projetos de infraestrutura

Em meio à pandemia de Covid-19, Tarcísio Gomes de Freitas tem relatado a interlocutores as boas perspectivas quanto ao andamento de processos de concessões




Canteiro de obras da ferrovia Transnordestina: apesar da Covid-19, as obras de infraestrutura não pararam. 
Jonne Roriz. 

A relação dos objetos para a segurança dos operários ganhou um reforço no cerne do agreste nordestino. Se, antes, bastavam o capacete, os protetores auriculares e um maciço par de luvas, os funcionários empenhados na construção da Ferrovia Transnordestina, que ligará o sertão aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), ostentam máscaras cirúrgicas para continuar suas atividades. O traslado para os canteiros também mudou. Se, antes, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) lotava seus ônibus para transportar o pessoal, os veículos viajam com apenas um terço dos lugares ocupados. Essa é a nova realidade de um Brasil que não parou. Se nos grandes centros urbanos, cujos trabalhos são majoritariamente em escritórios, apenas aqueles que realizam atividades essenciais continuam nas ruas, não existe sistema de home office em grandes obras de infraestrutura. Com o risco mitigado de contágio da Covid-19, já que os funcionários trabalham em espaços abertos e com amplo distanciamento entre eles, ao lado da agricultura, o setor de construção civil promete trilhar os caminhos para a saída da grave crise econômica que começa a se desenhar na ressaca da pandemia do coronavírus.

O presidente Jair Bolsonaro publicou, nesta quinta-feira 8, um decreto elevando a construção civil a atividade essencial, aquelas que não podem parar, durante a estadia da doença entre os brasileiros. E, mesmo antes da ratificação por parte do Governo Federal de que as atividades não poderiam ser interrompidas, os números mostram que, apesar de impactado, o setor continua a funcionar. Na contramão do comportamento geral dos preços de produtos em abril, que amealharam a primeira deflação em mais de 20 anos, o custo nacional da construção fechou o mês em avanço de 0,25%. Os gastos empenhados com materiais para a realização das construções e obras subiram, em média, 0,09%, enquanto os encargos com mão de obra avançaram 0,42%. Os dados são do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Noutra frente, governadores como os de São Paulo, João Doria, e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, não proibiram as obras de continuar ocorrendo.

Mesmo com a chancela de Bolsonaro, os presidentes das grandes construtoras, claro, estão receosos. Grandes empresas do setor estão reticentes quanto à continuidade de projetos, preocupados com o risco de calote por parte do Governo Federal, e correm aos escritórios de advocacia procurando amparo jurídico para paralisar obras públicas sem sofrer sanções. Entre as demandas enviadas para Bolsonaro e os ministros Paulo Guedes, da Economia, e Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, estão o adiamento do pagamento de tributos federais, a facilitação de crédito e a suspensão do pagamento de Refis e obrigações previstas em contrato para dar continuidade às obras e mitigar os impactos, mesmo que suprimidos pela continuidade das operações, da velocidade e custos de produção.


Uma sondagem preliminar realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada na terça-feira 5, mostra que, mesmo antes da pandemia alastrar-se pelo país de forma mais latente, como ocorrido em abril, o setor já começou a ser impactado. De acordo com a CNI, entre fevereiro e março, o índice de evolução do nível de atividade ficou em 28,8 pontos, “o que demonstra uma queda muito intensa e disseminada”. Esse indicador varia de 0 a 100, com linha divisória de 50 pontos, que separa crescimento e queda do nível de atividade. Os valores abaixo de 50 pontos são considerados retração no setor.
Adriano Machado/Reuters 

Como cerne de programas distintos dentro do Governo Federal para a saída da crise econômica anunciada, os rumos da infraestrutura viraram tópico central na Esplanada dos Ministérios durante a pandemia. Depois de apresentar ao presidente Bolsonaro os riscos de uma aventura intervencionista, o ministro Guedes, em parceria com seu secretário de Infraestrutura, Diogo Mac Cord, deu tração ao Plano Pró-Infra, um ousado plano de atração de investimento privado em projetos na área de construção civil. A ideia do projeto consiste em criar uma padronização dos procedimentos de seleção, preparação e avaliação de projetos firmados por meio de parcerias público-privadas e concessões, para acelerar os projetos que, aponta o Ministério da Economia, demoram em média dois anos para serem iniciados, e aumentar a previsibilidade de gastos com as obras. 

A ideia do projeto consiste em criar uma padronização dos procedimentos de seleção, preparação e avaliação de projetos firmados por meio de parcerias público-privadas e concessões, para acelerar os projetos que, aponta o Ministério da Economia, demoram em média dois anos para serem iniciados, e aumentar a previsibilidade de gastos com as obras. Para atrair o capital privado, Guedes enseja “fortalecer a priorização estratégica e desenvolver uma carteira de projetos de alta qualidade”, classificados por ordem de prioridade, e aprimorar as capacidades de gestão de projetos e a responsabilização, além de modernizar o processo de contratações públicas. “A iniciativa representa ganho de escala, além de facilitar a análise e passagem pelos órgãos de controle, em especial, do Tribunal de Contas da União”, diz Giuseppe Giamundo Neto, mestre em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo e especialista em infraestrutura. O projeto compreende ainda iniciativas para setores específicos, como o saneamento básico, as telecomunicações e o setor elétrico e dependem do Congresso Nacional para irem para frente.

O projeto de Guedes consiste em criar mecanismos para atrair a iniciativa privada para projetos de infraestrutura, em detrimento ao aporte público nas obras num cenário em que a relação entre as dívidas do país somará 90% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de acordo com o Banco Mundial. Segundo a apresentação do projeto, a que VEJA teve acesso, a proposta consiste na elaboração de reformas que reduzam a carga regulatória e facilitem os investimentos privados em infraestrutura e arar o terreno para a atração de empresas a partir de gargalos logísticos do país, cuja precariedade, aponta o relatório, ficou mais latente com a chegada da pandemia ao país. “O estudo ataca exatamente o maior problema que são os erros de preparação dos projetos, motivo principal de muitos serem barrados pelo Tribunal de Contas da União”, destaca Bernardo Figueiredo, ex-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL).

O entendimento dentro do Ministério da Infraestrutura é de que o Pró-Brasil passará por alterações com as propostas de melhora no ambiente de negócios brasileiro, com o uso do estudo Ministério da Economia, mas o Estado precisará entrar onde o setor privado não seja capaz de operar, visão corroborada por especialistas. A medida seria propiciada por meio da concessão de crédito por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Social, o BNDES, e a Caixa Econômica Federal, com financiamentos para suprir até 5,1 bilhões de reais até 2023. “O setor privado vai sair desta crise numa situação de recuperação, em isolamento, muito machucado. É difícil que lidere um processo de crescimento. A indústria está com capacidade ociosa absurda, ninguém investe com capacidade ociosa”, diz Venilton Tadini, presidente-executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, a Abdib.

Segundo o texto, o Ministério da Economia projeta um crescimento exponencial do PIB do país com a consolidação de um programa de desburocratização para investimentos privados — mais robusto, aponte-se, do que os projetados por meio de injeções de recursos públicos. A pasta projeta que, com a estipulação do projeto, a economia do país cresça 3,13% já no ano que vem, em detrimento a um avanço de 2,94% se adotado o PAC do Marinho, como apelidou Guedes, em referência ao Programa de Aceleração do Crescimento engendrado pelos governos petistas. No ano seguinte, a economia brasileira avançaria 3,42% se consolidadas todas as fases da proposta. Apresentado de forma incipiente, o projeto desenhado pelo Desenvolvimento Regional projetava a criação de 1 milhão de empregos até 2022 (cenário desmentido pela Economia). O relatório aponta que o projeto de investimento estatal propiciaria apenas 666 empregos no ano que vem e 1174 novas vagas em 2022.
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, durante conferência de imprensa em Brasília (DF) – 16/04/2019 Adriano Machado/Reuters 

Apesar da redução da velocidade das obras, 88% delas não pararam desde a chegada da doença ao país. E as perspectivas do Ministério da Infraestrutura não são das piores. Tarcísio Gomes de Freitas tem relatado a interlocutores as boas perspectivas quanto ao andamento de processos de grandes concessões ainda neste ano, e projeta a atração de investimentos privados na ordem de 250 bilhões de reais nos próximos anos. A leitura do ministro é de que, como o Brasil amealha lacunas gigantescas de infraestrutura, na saída da crise, os investidores estrangeiros terão apetite para investir no país a longo prazo. A pavimentação de rodovias e construção de pontes também continuam de vento em popa, de acordo com a pasta. Nesta terça-feira 5, Gomes de Freitas se reuniu por videoconferência com a bancada federal da Paraíba para a assinatura da papelada para retomada da obra de adequação de capacidade e segurança da BR-230, no trecho entre o Porto de Cabedelo e João Pessoa, na Paraíba. 

A pavimentação da BR-426, que liga Nova Olinda a Santana dos Garrotes, também na Paraíba, está em fase final. A obra, que teve investimento de 12 milhões de reais, já está com 90% concluída e a conclusão é esperada para o próximo mês. Internamente, a Infraestrutura comemora a entrega de 12 obras somente desde a chegada da pandemia e exalta o estágio avançado de outros grandes projetos. Obras em infraestrutura, cujos investimentos do governo federal ainda são preponderantes devido à magnitude dos projetos, tornam-se cruciais para que o país se desenvolva (cenário que, apesar de fantasmas intervencionistas dentro do próprio governo, pode estar com os dias contados), ainda mais para retomar a atividade depois da devassa causada pelo novo coronavírus. Que os trilhos que nos levam para o fim de um futuro sombrio sejam logo pavimentados. Com ou sem máscaras.

Fonte: Portal Veja, Maio de 2020.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Gestão de projetos no setor de Saúde




O avanço da tecnologia da informação tem incentivado, cada vez mais, empresas de diversos segmentos atualizarem seus processos, ferramentas e procedimentos para otimizar tempo, reduzir custos e garantir a qualidade dos produtos e serviços prestados.

A expressão “fazer mais com menos” tem sido predominante dentro das organizações, o que implica em equipes enxutas, automação de processos, simplificação das tarefas para atingir bons resultados, implantação de ferramentas de apoio que auxiliam na tomada de decisão, entre outros fatores os quais são suportados pela tecnologia da informação.

Na área de saúde não é diferente. Com o uso de soluções tecnológicas e ferramentas de apoio avançadas, os hospitais têm alcançado resultados surpreendentes desde a otimização e padronização de processos até a redução de custos e aumento da produtividade.

Considerado um mercado extremamente competitivo, o segmento hospitalar está em constante ascensão e, por isso, tem investido em melhorias contínuas em seus fluxos de negócios e metodologias de gestão, alinhados aos objetivos estratégicos da organização, visando lucratividade e excelência no atendimento, haja vista que a cobrança pela eficiência e eficácia em suas iniciativas cresce gradualmente.

O gerenciamento de projetos é uma das mais importantes metodologias adotadas pelas organizações de saúde no Brasil nos últimos anos. Dado o dinamismo e importância da área hospitalar, diariamente surgem diferentes necessidades que dão origem a novos projetos. Muitas vezes, essas necessidades são solicitações exigidas pelos pacientes ou processos não informatizados que impactam diretamente na saúde do paciente e na área financeira da organização, como, por exemplo, o atendimento precário com filas de espera desorganizadas, o uso de papéis para preenchimento de anamneses e prontuários, insegurança dos dados do paciente, extravio de medicamentos e materiais hospitalares, falta de gerenciamento de leitos e blocos cirúrgicos, melhorias em processos já mapeados e informatizados, entre outros fluxos deste universo tão complexo.

Os projetos de saúde são considerados complexos devido aos inúmeros fluxos existentes na área. Essa complexidade exige conhecimento das regras de negócio por parte do gestor. Mas é possível gerenciar projetos sem conhecer do negócio? Tudo é possível. Cabe avaliar o risco, principalmente na área hospitalar, pois gerenciar projetos vai além do que controlar cronogramas e cobrar prazos às equipes. O fator primordial para obter sucesso nos projetos deste segmento é envolver um profissional detentor de conhecimentos teóricos e práticos, como técnicas, habilidades, boas práticas de gestão e vivência na rotina hospitalar, que conduza e gerencie as necessidades do setor de forma controlada e perspicaz.

Segundo o PMBOK (Guide to the Project management body of knowledge), Guia de Gerenciamento de Projetos, 6ª edição, este gerenciamento consiste na aplicação do conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto para atender aos requisitos solicitados. É importante seguir cada etapa por meio dos grupos de processos (Iniciação, Planejamento, Execução, Monitoramento e Controle e Encerramento), conforme orienta o Guia.

O gerente de projetos deve apoiar todas as áreas envolvidas, mantendo a comunicação entre os stakeholders (pessoas-chave envolvidas nos processos). As atividades devem ser planejadas de forma estruturada e organizada para mitigar os riscos ao gerenciar e controlar o escopo e cronograma para atender aos requisitos solicitados no prazo estabelecido, dentro do custo orçado e com a qualidade esperada pela instituição. O profissional também é responsável por liderar a equipe para alcançar os objetivos do projeto.

O maior desafio da gestão de projetos na área de saúde é agregar valor ao negócio. Muitas vezes, a ideia fracassa por não estar alinhada aos objetivos estratégicos da organização. Para minimizar este risco é necessário levantar os requisitos de forma adequada, envolvendo todas as áreas que serão impactadas, uma vez que o usuário é “peça-chave” e, em alguns casos, não tem conhecimento suficiente ou não sabe especificar o que deseja. Dessa forma, é possível afirmar que o sucesso de um projeto está diretamente ligado a um escopo bem definido e validado, equipe engajada, cronograma bem gerenciado, riscos e custos controlados, critérios de qualidade aceitáveis, criação de um canal de comunicação compartilhado e integrado entre as equipes. Isso contribui e beneficia não apenas o paciente, mas a todos os profissionais envolvidos no sistema como um todo.

Fonte: Adaptado de Saúde Business Mar 2020

Ceará planeja transformar onda do mar em energia a partir de 2020





A energia elétrica pode ser gerada por diversas formas. No Brasil, as principais fontes usadas são a hidráulica, o gás natural, o petróleo e o carvão mineral. Os processos de produção que utilizam essas fontes, entretanto, apresentam desvantagens que ameaçam a natureza, como a emissão de gases estufa, poluição do ar e chuva ácida. Todavia, uma alternativa que respeita o meio ambiente foi instalada no Ceará em 2012: a usina de ondas do Porto de Pecém, localizada no município de São Gonçalo do Amarante .




Resultado da parceria entre os pesquisadores da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), o projeto foi financiado pela Tractebel Energia (atual ENGIE) e teve apoio do Governo do Estado do Ceará. A empresa privada chegou a investir R$ 15 milhões no empreendimento, mas, com o fim do contrato em 2016, o projeto foi paralisado.

Em 2017, o então coordenador da usina e professor Segen Estefen retomou os experimentos no Ceará, com previsão de conclusão total prevista para 2020. Hoje, entretanto, a coordenação também foca na construção de uma usina de ondas no Rio de Janeiro, desta vez, em parceria com a Furnas e com a Seahorse Wave Energy.




Da usina do Porto de Pecém, espera-se gerar 100 quilowatts para abastecimento do principal porto cearense (energia que pode abastecer até 60 famílias locais). Por ter o movimento das ondas como principal fonte, a energia ondomotriz é limpa e renovável – não causando, assim, danos ao meio ambiente. Além disso, é um processo que tem um grande potencial de exploração, uma vez que o Brasil possui um vasto litoral e constância dos ventos alísios, principalmente no Ceará. Esse fenômeno garante regularidade no movimento das ondas, o que aumenta a eficiência da usina.





E como funciona a energia ondomotriz?

A usina é construída em módulos, sendo cada um deles formado por um flutuador, um braço mecânico e uma bomba conectada a um circuito de água doce. A partir do movimento das ondas, os flutuadores sobem e descem, acionando as bombas hidráulicas. Estas fazem a água doce circular em alta pressão e depois a transporta para um acumulador, onde a água e o ar são comprimidos em uma câmara hiperbárica. A água sai do acumulador com pressão e vazão e movimenta uma turbina, que aciona um gerador e produz energia elétrica. Essa é a grande diferença para a energia hidráulica: em vez da água ser aproveitada na queda, ela é pressionada em um circuito fechado.


Fonte: Casa.com.br Mar/2020

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Promo Livro - Aprenda a Gerenciar Projetos e Alcance o Sucesso

Campanha de lançamento do livro Aprenda a Gerenciar Projetos e Alcance o Sucesso! Adquiria seu exemplar, agora, por R$ 20,00 em formato eletrônico. Quem se interessar pelo livro físico, pode adquirir também nas melhores livrarias. Detalhes na Página do Produto 😉 #gestãodeprojetos #gerenciamentodeprojetos #projetos #pmbok #SCRUM #Métodoságeis #fernandopaes #fgv #fgvprojetos


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Indústria projeta crescimento da economia de 2,5% em 2020


Para a CNI, a garantia de que o avanço vai se materializar é a continuidade das mudanças

A economia brasileira deve crescer 2,5% no próximo ano, contra uma alta de 1,2% do PIB em 2019. As projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) foram divulgadas nesta terça-feira. Para a entidade, o investimento puxará esse movimento, com alta de 6,5% no próximo ano.

- A garantia de que esse crescimento vai se materializar é a continuidade das mudanças na economia, que vão gerar melhor ambiente de negócios e mais segurança para as empresas investirem mais, contratarem mais — avaliou o economista da organização, Flavio Castelo Branco.

Economistas ouvidos pelo Banco Central estimam uma alta de 2,25% do PIB em 2020. O governo projeta um avanço de 2,35%. No caso do PIB industrial, a expectativa da CNI é de uma alta de 2,8% em 2020, contra 0,7% de crescimento neste ano. Se a projeção for confirmada, será a maior expansão desde 2011.

"As empresas iniciarão o ano com condições financeiras mais favoráveis, com taxas de juros mais baixas e menor endividamento. Além disso, a ociosidade dá os primeiros sinais de queda, ao mesmo tempo que as expectativas seguem otimistas", justificou a entidade.

Para a organização, o setor da construção civil será o "principal motor" do aumento do nível de atividade no próximo ano. Segundo Castelo Branco, a construção civil se beneficiará do avanço do governo nas concessões e nas privatizações, além do foco no setor de saneamento.— A recuperação do setor tende a gerar um número grande de contratações formais, dando suporte a novos avanços no consumo — avaliou.

Para a Confederação Nacional da Indústria, o mercado de trabalho vem mostrando dinâmica positiva em 2019, e as perspectivas para o próximo ano vão no mesmo sentido. A previsão é de que a taxa média anual de desemprego caia de 12,3%, em 2018, para 11,9% em 2019 e atinja 11,3% no ano que vem.

A expectativa da CNI é de que a inflação continuará a apresentar um "comportamento favorável" em 2020, com o IPCA atingindo 3,70% no ano que vem, contra 3,78% em 2019.A entidade projeta a manutenção da atual da taxa básica de juros, de 4,5% ao ano, a mais baixa da História, ao longo de 2020.Para o dólar, a previsão é de que a moeda americana permaneça acima de R$ 4 no próximo ano, terminando 2020 ao redor de R$ 4,10.


Fonte: Portal Época Negócios, Dezembro de 2019.

Expectativas de Mercado (Concretizadas ou Não) para a Economia em 2019 e Perspectivas para 2020


Fonte: Instituto Liberal, 31/12/2019

Em 2019, o Brasil continuou no seu processo de recuperação, lenta e gradual, da atividade econômica. No terceiro ano pós-recessão, deve ter crescido algo próximo de 1,0%, assim como nos dois anos anteriores. Apesar de o número final ser praticamente o mesmo, esses três anos não foram exatamente iguais na sua composição.

Em 2017, a agropecuária, que representa menos de 5% da economia brasileira, cresceu bastante (14,2%), levando o PIB a crescer, em termos reais, 1,3%. Se não fosse esse desempenho da agropecuária, o PIB teria crescido bem menos. Em 2018, indústria e serviços (este último, principal setor da economia) contribuíram de forma mais relevante para o crescimento, que poderia ter sido maior se não fosse a greve dos caminhoneiros de maio e a incerteza eleitoral. A greve, apesar de ter sido um evento pontual, em que a atividade econômica naquele determinado mês se retraiu, voltando logo em seguida, teve efeitos negativos no dado da economia do ano como um todo.

Após a eleição de 2018, a incerteza diminuiu e a confiança aumentou, segundo os indicadores da FGV. Isso levou a um otimismo com a economia para 2019, tanto que no começo do ano as expectativas de mercado indicavam um crescimento do PIB de 2,5%. Porém, essa confiança foi sendo reduzida ao longo dos primeiros meses do ano. O índice de confiança empresarial da FGV, por exemplo, passou de 95,7 pontos em setembro de 2018 para 103,3 em janeiro de 2019, reduzindo nos meses posteriores, até chegar a 97,6 em maio. O indicador de incerteza, também da FGV, passou de 121,5 pontos em setembro de 2018 para 109,2 em março de 2019, tendo aumentado para 119,5 em maio.

Além disso, ainda houve o desastre de Brumadinho no começo do ano, a crise argentina e o aumento da incerteza mundial, fruto da guerra comercial entre EUA e China. Segundo estimativas do Banco Central, esses três eventos tiraram 0,67 p.p. do PIB desse ano.[1] O Gráfico 1 mostra a evolução da mediana das expectativas de mercado para o PIB de 2019 ao longo do ano.




Desde 2016, com a então nova diretoria do Banco Central, liderado pelo ex-presidente Ilan Goldfajn, a inflação recuou bastante, bem como a taxa de juros. Além disso, as expectativas de inflação votaram a ficar ancoradas na meta, inclusive no longo prazo. Lembrando que a inflação caiu de 10,7% em 2015 para 2,95% em 2017. O ano de 2019 deverá ser o terceiro ano consecutivo de inflação abaixo da meta, que pela primeira vez depois de 14 anos não foi mais 4,5% e sim 4,25%. As metas de inflação foram reduzidas de 4,5% em 2018 para 4,25% em 2019, 4,0% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,5% em 2022.

O IPCA-15 fechou o ano em 3,9%, com uma alta de 1,0% no último mês do ano em comparação com novembro. Alimentação no domicílio cresceu 6,1% no ano, e 3,6% em dezembro (em relação a novembro), ainda sob o critério da prévia da inflação. O setor das carnes, que tem um peso de 2,7% na inflação total do IPCA-15, aumentou 17,7% seus preços em dezembro em relação a novembro.[2]
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A média de sete núcleos de inflação medidas pelo IPCA-15, calculados pelo Banco Central, apresentou uma alta de 3,1% dos preços em 2019, 0,8 p.p. superior à inflação total do IPCA-15, mostrando que a inflação ainda está bem comportada, e ocorreram choques (carne, por exemplo) no final do ano que elevaram a inflação, mas para ainda níveis confortáveis e abaixo da meta. Há um mês atrás, a mediana das expectativas de mercado indicava uma inflação de 3,5% no final do ano, ao invés de 4,0%, como atualmente. O Gráfico 2 mostra a evolução da mediana das expectativas de mercado para a inflação (IPCA) de 2019 ao longo do ano.



O ano de 2018 terminou com a Selic em 6,5%, menor nível histórico, desde março daquele ano. Com a atividade fraca, numa recuperação lenta e gradual, inflação corrente baixa e expectativas de inflação ancoradas na meta, apesar de haver riscos para ambos os lados, o Copom reduziu a Selic para 6,0% em julho, 5,5% em setembro, 5,0% em outubro e 4,5% em dezembro. As expectativas de mercado indicam mais uma redução da taxa Selic na primeira reunião do Copom de 2020 para 4,25%, porém terminando o ano de 2020 em 4,5%, assim como foi em 2019.

No começo de 2019 as expectativas eram de um leve aumento da Selic para 7,0%, depois as expectativas ficaram por alguns meses na manutenção dos juros em 6,5% e, a partir da metade do ano, as apostas passaram para diminuições da taxa básica de juros. Essas reduções foram se intensificando ao longo dos meses. O Gráfico 3 mostra a evolução da mediana das expectativas de mercado para a Selic de 2019 ao longo do ano.



A taxa nominal de câmbio oscilou em 2019 na mínima de R$ 3,65 / US$ no final de janeiro até a máxima de R$ 4,26 / US$ em 27 de novembro. Até meados de agosto, a média da mediana das expectativas de mercado da Focus indicavam um câmbio no final do ano em R$ 3,75 / US$. Dessa época até agora, a média das expectativas passou para R$ 3,99 / US$, sendo R$ 4,10 / US$ a última expectativa. Até a última sexta-feira do ano, a média do câmbio foi de R$ 3,95 / US$ em 2019, sendo R$ 4,05 / US$ o fechamento do câmbio em 27/12/19.

Segundo apresentação do presidente do Banco Central, alguns eventos recentes que impactaram o Real desde novembro foram: frustração com o leilão de Cessão Onerosa; manifestações na América Latina; revisão do balanço de pagamentos; entre outros. O Gráfico 4 mostra a evolução da mediana das expectativas de mercado para a taxa de câmbio de 2019 ao longo do ano, além dos dados efetivos do câmbio em 2019.



O Gráfico 5 mostra a mediana das expectativas de mercado para 2019, de acordo com o boletim Focus, para o PIB, a inflação, a Selic e o câmbio, em três datas: primeira Focus do ano (04/01/19); final do primeiro semestre (28/06/19); e último boletim Focus do ano (27/12/19).[3]




Então, no começo do ano se esperava um crescimento do PIB mais forte, taxa essa que foi caindo ao longo do primeiro semestre até ficar abaixo de 1,0% na metade do ano, e aumentou um pouco, esperando-se um crescimento de 1,2%, similar aos dois anos anteriores. Sobre a inflação, o ano começou com uma expectativa de 4,0%, pouco acima da expectativa no final do primeiro semestre (3,8). Porém, ao longo do segundo semestre as expectativas foram diminuindo mais ainda, chegando a ficar abaixo dos 3,30% em meados de outubro. Com os choques do final do ano, principalmente da carne, as expectativas aumentaram um pouco, para o patamar de 4,0%, mas mesmo assim ainda abaixo da meta de 4,25%.

As expectativas dos agentes de mercado eram de que a Selic subiria 0,5 p.p no começo do ano, de 6,5% para 7,0%, expectativa essa que logo mudou para mais alguns cortes de juros. No final de junho, as expectativas eram de que a taxa básica de juros fecharia o ano em 5,5%, 1 p.p. do que realmente fechou (4,5%). A expectativa de mercado no começo de 2019 era que o câmbio fechasse o ano em R$ 3,80 / US$, com o real um pouco mais forte do que a taxa de R$ 3,88 / US$ de fechamento do ano de 2018. No final do primeiro semestre, as expectativas ainda eram de R$ 3,80 / US$ (no final de junho, o câmbio estava em R$ 3,85 / US$). Alguns eventos, tanto internos quanto externos, levaram a taxa nominal de câmbio a se enfraquecer mais no segundo semestre, levando as projeções de mercado a indicarem um câmbio de R$ 4,10 / US$ no final de 2019.

Para 2020, as expectativas de mercado indicam um crescimento mais forte do que em 2019, de 2,3%, fruto de uma maior confiança, menor incerteza, efeitos defasados da política monetária, entre outros. Porém, nesse número há um carregamento estatístico (carry over) de 1,0%.

Ao se olhar para esse crescimento pouco acima de 2,0% no ano que vem, pode-se ver tanto aspectos positivos quanto negativos. Do lado positivo, esse vai ser o maior crescimento desde 2014, quando o país entrou em recessão. Por outro lado, a taxa média de crescimento do PIB brasileiro dos últimos 40 anos, desde 1980 é o mesmo número da expectativa para o crescimento em 2020 (2,3%), já incorporado o crescimento de 1,2% em 2019. Ou seja, a expectativa de crescimento para o PIB no ano que vem é positiva, ao se olhar o passado recente, em que o país atravessou a pior recessão da história, e uma recuperação bastante lenta e gradual, porém, é a taxa média de crescimento do Brasil das últimas quatro décadas. Lembrando que a década de 1980 foi conhecida como década perdida e a década atual é mais perdida, em termos de crescimento econômico, do que a década de 1980, já que nos anos 1980 o crescimento médio foi de 1,6%, e na década atual deverá ser menor do que 1,0%.

A inflação está ancorada na meta para 2020, já que as expectativas indicam uma taxa de 3,6%, mais uma vez (quarto ano consecutivo, caso isso se concretize) abaixo da meta, que ano que vem será de 4,0%. A Selic deve continuar na mínima histórica, seja em 4,5% ou até um pouco mais baixa. O câmbio próximo do patamar atual, em R$ 4,08 / US$. O Gráfico 6 mostra a mediana das expectativas de mercado para 2020, de acordo com o último boletim Focus de 2019, para o PIB, a inflação, a Selic e o câmbio.



O ano de 2019 pode ser considerado como positivo na área econômica, pela aprovação da reforma da previdência, um dos principais gargalos do desequilíbrio fiscal do país. Porém, sempre se tem que lembrar que a situação econômica ainda é muito precária, com os quase 12 milhões de desempregados, somados aos quase 5 milhões de desalentados e outros 7 milhões de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas.[4] Além disso, ainda há as dezenas de milhões de pessoas trabalhando na informalidade. Ou seja, resolver essa questão é a prioridade do país, no curto prazo. E para isso acontecer, o país precisa crescer mais. Feliz 2020!!

[1] 0,18 p.p do choque da Argentina; 0,29 p.p do choque global; e 0,20 p.p do choque de Brumadinho.

[2] As datas de coleta do IPCA-15 geralmente são entre a segunda parte do mês anterior, e a primeira parte do mês seguinte. Por exemplo, o calendário de coleta do IPCA-15 foi entre 12/11/19 e 11/12/19.

[3] Lembrando que o dado da taxa Selic do final do ano já é o dado efetivo, e não expectativa.

[4] Pessoas que trabalhavam habitualmente menos de 40 horas no seu único trabalho ou no conjunto de todos os seus trabalhos e gostariam e estavam disponíveis para trabalhar mais horas.